| Internet: Eu Tuito, Tu Tuitas, nós Refletimos | ||
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Agora é possível conjugar esse verbo sem medo de ser corrigido: “eu tuito”, “tu tuitas”, “eles tuitam”, “vós tuitais”. E esse não é o único verbete ligado aos novos comportamentos tecnológicos que foi adicionado à língua oficial. Segundo informações divulgadas pela Editora Positivo, são mais de três mil palavras da escrita contemporânea. Entre elas, expressões e palavras que já estão na boca do povo, mas que ainda não haviam encontrado lugar nos livros, como por exemplo ‘sex shop’, 'botox', 'balada', ‘nerd’, ‘test drive’ e ‘bullying’. Essas siglas de origem estrangeira surgiram na rede como alternativa para ganhar espaço nos textos e agilizar o processo de escrita e, em pouco tempo tornaram-se populares entre os internautas que hoje se comunicam com um dialeto praticamente próprio. Agora, porém, estão presentes nos cadernos e redações dos alunos do Ensino Médio, retomando uma velha discussão: a internet ajuda ou atrapalha a desenvolver a escrita dos alunos? Ocorre que a internet cria termos novos a todo o momento e nem tudo é oficializado pelos dicionários. Nesse contexto em que a norma culta da língua ensinada pelos professores se choca com as gírias e os vícios de linguagem advindos da internet, cria-se a relação “alunos, escrita e internet”, que se torna um objeto de estudo importante para tentar entender até onde vai à influência da internet e de que forma, professores e alunos devem trabalhar com essa ferramenta que, ao mesmo tempo, ajuda no acesso ao conhecimento, mas pode atrapalhar caso não haja uma boa orientação. Ela possui contas em diversos sites de relacionamento, além de ficar conectada ao MSN a maior parte do tempo. A estudante conta que possui dificuldades na hora da escrita e na caligrafia, uma vez que cada dia menos ela pratica a escrita no papel. “Às vezes, quando vou escrever uma redação, devido ao costume de escrever com pressa no MSN, tenho que reler duas vezes para não deixar passar nada sem vírgula ou acento”. “Eu não uso gírias porque não acho que soe bonito, não gosto desse estrangeirismo e acredito que isso ocorre por uma questão de status. As pessoas falam em inglês porque na cabeça delas isso é o topo da pirâmide”, expõe o aluno. Débora Scopim, coordenadora de Língua Portuguesa na Oficina Pedagógica de São Carlos, acredita que com uma boa orientação a internet pode ser uma ferramenta poderosa para desenvolver o potencial de escrita dos alunos, porém, o seu uso pode ser prejudicial ao desempenho da escrita quando se torna a única escrita com que eles têm contato. “Se os alunos não forem bem conduzidos e não tiverem um repertório vasto, não conseguirão diferenciar as diversas situações de comunicação, nem quando devem utilizar cada uma das formas de linguagem”, declara. “Isto demonstra o quanto a internet influencia na escrita dos alunos, tanto em relação à estrutura quanto em relação às abreviações, como ‘to’, ‘ta’, ‘vc’, ‘tbm’, ‘qlq’ e outras formas de escrita”, conclui. A incorporação dos novos termos ao dicionário é um fenômeno natural da ‘vida’ da língua, diferentemente do que podem crer os catastrofistas de plantão, a língua portuguesa não vai se perder, se deturpar, deixar de ser língua portuguesa”, afirma. Segundo ela, a incorporação de termos a dicionários como o Aurélio é na verdade o reconhecimento de uso já legitimado sócio-culturalmente pelos falantes. Negá-la pode ser um erro ainda maior”, conclui. |




Já é oficial, o verbo inglês “to tweet” está abrasileirado. A versão traduzida do verbo foi incluída na nova edição do dicionário Aurélio.




